Educar para empoderar
- Liandra Veiga

- 15 de ago. de 2025
- 12 min de leitura
A luta de Lu Prata por uma consciência crítica. Como a educação pode transformar meninas em mulheres conscientes e ativas
Lu Prata é criadora de conteúdo e idealizadora do projeto “Estude como uma menina”, uma iniciativa que une educação, consciência crítica e protagonismo feminino nas redes sociais. Com uma fala firme, acessível e recheada de referências teóricas, Lu tem se tornado uma das vozes mais relevantes da nova geração de educadoras digitais. Em seus vídeos, ela traduz conceitos complexos sobre política, feminismo, racismo, causas indígenas e estrutura social, tornando-os compreensíveis para estudantes, jovens e todas as pessoas que desejam aprender, mas que muitas vezes não tiveram acesso a esse conhecimento na escola ou em casa. Nesta entrevista, Lu fala sobre empoderamento, desafios de criar conteúdo político na internet, educação como ferramenta de transformação e as mulheres que a inspiram diariamente. Um bate-papo necessário, potente e urgente.

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LIANDRA VEIGA: Qual foi a gênese do ‘’Estude como uma menina’’?
LU PRATA: O estudo surgiu lá em 2019, naquela época em que tava crescendo a onda do Studygram, sabe? As pessoas estavam postando sobre estudos, lettering, leituras... E eu, que sempre fui muito estudiosa e sempre gostei de ler, queria muito criar um perfil assim, voltado pra isso. Mas eu era muito novinha na época. Minha mãe não aprovou muito a ideia e meus pais ficaram receosos com a exposição na internet. Eles disseram que, se fosse pra me expor, tinha que pensar em algo diferente do que só seguir a moda. Então comecei a refletir sobre o que me diferenciava dos outros projetos.Decidi então falar sobre mulheres — sobre a perspectiva das mulheres dentro das histórias, da geopolítica, da matemática, da física, das coisas que eu estudava na escola. Meus primeiros posts eram resumos de conteúdos. Lembro de um sobre a Segunda Guerra Mundial em que, no fim, eu fazia uma pergunta trazendo o papel das mulheres naquele contexto, algo que geralmente não era abordado.Aos poucos o Estudo foi crescendo, fui amadurecendo e mudando o conteúdo. Nas férias, comecei a entrevistar mulheres e montar suas representações com Barbies, criando cenários. Depois, vieram os vídeos — primeiro sem me expor muito, mas desde o ano passado tenho aparecido mais, mostrando minha cara, meu cenário, do meu jeito.Foi um processo de amadurecimento, e fico muito feliz de o Estude ter acompanhado minha trajetória e desenvolvimento.
LIANDRA VEIGA: E por que falar sobre feminismo é tão importante hoje?
LU PRATA: Falar sobre feminismo é essencial pra gente entender do que se trata essa luta — e pra conseguirmos vivê-la no dia a dia. O feminismo não é só uma ideia ou uma crença. É uma luta, um movimento, uma série de ações. E ele continua extremamente relevante. Tem gente que acha que ficou no passado, que hoje as mulheres já conquistaram tudo, que até têm privilégios... Mas a gente sabe que não é assim. A desigualdade salarial ainda é real, a violência contra a mulher ainda é constante — basta ver o caso da mulher que levou 60 socos do próprio companheiro essa semana. A gente não está segura nem dentro de casa. A maioria das violências sexuais começam em casa. Ainda não temos o direito ao aborto garantido, mesmo quando está previsto na lei. Somos, muitas vezes, cidadãs de papel. E é por isso que precisamos lutar. E pra lutar, é necessário que mais pessoas entendam o que é o feminismo. Infelizmente, houve uma demonização muito grande do movimento, que se intensificou nos últimos anos no Brasil com a ascensão da extrema direita. A juventude — que sempre foi a linha de frente das revoluções — não pode se perder no conservadorismo. A gente precisa continuar falando sobre pautas sociais e econômicas, espalhar esse conhecimento. Porque se a gente voltar pro retrocesso... não vai ser fácil pra nenhuma de nós.
LIANDRA VEIGA: E como você define estudar com consciência?
LU PRATA: Estudar com consciência, pra mim, é olhar além do que está escrito no papel. É estudar vendo como aquilo se aplica à nossa sociedade, pensar de maneira crítica, considerar diferentes pontos de vista e entender como aquele conhecimento foi construído e está inserido no mundo. Não vejo o conteúdo como algo isolado. A produção científica não é uma ilha — é parte de um processo, de uma sociedade. E, mais do que isso, é importante pensar também em como devolver esse conhecimento para a sociedade. Isso, pra mim, é estudar com consciência.
LIANDRA VEIGA: Essa próxima pergunta você já respondeu um pouco antes, mas qual foi o primeiro assunto que te motivou a criar conteúdo?
LU PRATA: Foi o feminismo. Essa pauta me colocou no mundo da militância. Eu tive uma educação muito feminista em casa. Aprendi desde cedo que eu podia fazer tanto quanto os meninos, que eu não tinha limitações e que, mesmo num mundo cruel, eu não deveria me fechar. Minha mãe tinha uma colega, a Nathalia do Política para Mulheres, que eu considero minha mentora feminista. Ela é advogada, ativista, palestrante, mãe… E com as conversas que tivemos e os eventos dela que minha mãe me levava, fui me aprofundando na teoria. Eu já tinha uma vivência, mas a teoria revolucionária foi essencial para eu entender mais profundamente. Foi assim que comecei o Estude Como uma Menina: falando de feminismo. Hoje abordo muito mais — antirracismo, questões indígenas, a luta LGBT, a luta da classe trabalhadora —, mas tudo começou com o feminismo e com o desejo de trazer essa perspectiva feminista para dentro dos conteúdos escolares.
LIANDRA VEIGA: De onde vem a sua força para se posicionar?
LU PRATA: Essa é difícil… Mas acho que minha força vem das pessoas que me acompanham nessa trajetória. Minha família, especialmente meus pais e minha mãe, sempre me apoiaram. Também meus colegas, que elogiam meu trabalho e reconhecem o que faço. Cada mensagem como "nossa, nunca tinha pensado nisso" ou "você me ajudou num debate na escola", me fortalece. Mesmo com tanto hate — já recebi até ameaça de morte — eu continuo. O mundo é muito opressor com mulheres que desafiam o sistema, mas eu sigo porque sei que estou fortalecendo uma luta. A luta me fortalece e sinto que também fortaleço outras pessoas. Isso me dá força para continuar.
LIANDRA VEIGA: Qual é o maior mito sobre o feminismo que você gostaria de desconstruir?
LU PRATA: Tem tantos... Mas acho que o principal é a ideia de que o feminismo não é mais necessário. Muita gente acha que já conquistamos tudo, que agora é “mimimi” ou que buscamos privilégios. Mas quem estuda a teoria feminista de verdade sabe que não é nada disso. O feminismo é uma luta por igualdade. Não queremos substituir os homens, queremos ser reconhecidas nos nossos espaços, ter os direitos que nos garantam uma vida digna. A gente não quer superioridade, quer equidade. Quando dizem, por exemplo, que a Lei Maria da Penha é um privilégio, gosto de usar a analogia da rampa: a rampa é necessária para quem tem mobilidade reduzida. Isso não é um privilégio, é um direito. O mesmo vale para leis de proteção às mulheres. A gente precisa desses mecanismos. Os feminicídios estão aí todos os dias. E mais: o feminismo é uma luta internacional. Enquanto houver uma mulher no mundo sem liberdade, nenhuma de nós será plenamente livre. Ainda há países onde mulheres não podem dirigir, estudar ou escolher se casar. Então, não: a luta não acabou. Ainda temos muito, muito trabalho pela frente.
LIANDRA VEIGA: Então, para você, a pauta mais importante do feminismo seria a urgência da equidade entre os gêneros?
LU PRATA: Sim. Essa é a base do feminismo — a equidade entre os gêneros. Mas, dentro disso, a gente vai encontrar muitas pautas diferentes, e todas são importantes para que a gente possa avançar. No Brasil, hoje, eu diria que uma das pautas mais urgentes é a questão do aborto. Mas isso varia muito de lugar para lugar e também do momento histórico em que a gente está. Então, todas as pautas do movimento são importantes, mas algumas, em determinados contextos, exigem mais urgência.
LIANDRA VEIGA: E no mundo, qual seria a pauta mais urgente?
LU PRATA: Difícil escolher, né? Porque são muitas pautas urgentes. Mas se eu tivesse que destacar duas, seriam: a questão dos casamentos infantis, que ainda é alarmante — e me choca muito. E não é algo distante: o Brasil está entre os países com os maiores índices de casamentos forçados de meninas. A última vez que pesquisei, estávamos em quinto lugar no ranking mundial. É um absurdo. E a outra pauta é a violência sexual como arma de guerra. Infelizmente, esse tipo de violência se repete em todos os contextos de conflito. Quando um exército quer desumanizar o inimigo, uma das primeiras estratégias é atacar mulheres e crianças. Violentá-las. Isso tem acontecido agora, nesse momento global que estamos vivendo, e é uma pauta que todos deveriam prestar atenção. Ela mostra com clareza por que o feminismo ainda é necessário. Mostra que ainda não somos reconhecidas como humanas em situações extremas.
LIANDRA VEIGA: O que mais te indigna na sociedade atual?
LU PRATA: Muitas coisas me deixam indignada. É difícil não se indignar, né? Mas a questão dos casamentos forçados é algo que ainda me choca muito. É uma prática extremamente normalizada e brutal, e ela gera uma cadeia de outras violências. Meninas que são forçadas a casar cedo engravidam cedo — e essas gestações são de alto risco. Além disso, muitas vezes, essas meninas acabam perpetuando esse ciclo, criando novas gerações que naturalizam essa vivência. É uma crise global e uma rede de oportunidades perdidas.
LIANDRA VEIGA: Vamos falar um pouco sobre educação, que é algo que você sempre aborda no seu conteúdo. Qual é, para você, o papel da educação na luta contra a opressão?
LU PRATA: Vou ser clichê e citar Paulo Freire: "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor." Mas eu gosto de ir além: quando a educação não é libertadora, o oprimido nem sabe que está sendo oprimido — e nem reconhece o seu opressor. A nossa educação foi construída como uma ferramenta de opressão. As primeiras escolas no Brasil foram as jesuíticas, voltadas à colonização e apagamento cultural dos povos originários. Desde então, a educação serviu a interesses políticos — da coroa, dos militares, de Vargas... Mas com o tempo, ela também pode se tornar ferramenta de transformação. Quando feita com consciência e senso crítico, a educação nos permite compreender o mundo, enxergar as crises que vivemos e refletir coletivamente. Ela pode e deve ser a porta de entrada para a militância e para a mobilização social.
LIANDRA VEIGA: Nesse sentido, você acredita que exista um limite entre política e educação?
LU PRATA: Não. Porque a política está em tudo. E mais ainda na educação. A trajetória da nossa educação foi sempre marcada por interesses políticos — como disse, desde os jesuítas até os dias de hoje. Então não existe uma separação real. A educação molda a política, e a política molda a educação. É uma via de mão dupla. A política atravessa o social — e a educação também.
LIANDRA VEIGA: Qual livro feminista você indicaria para incluir na educação básica? Um para o ensino fundamental II e outro para o ensino médio?
LU PRATA: Para o fundamental II, indico o discurso “E não sou eu uma mulher?” da Sojourner Truth. Ela foi uma mulher negra norte-americana, escravizada, que lutou pelos próprios filhos e pelos direitos das mulheres. Nesse discurso, ela fala sobre como, mesmo sendo mulher, não era tratada como tal — e como as opressões atravessam raça, classe e gênero de forma diferente. Também indico “Feminismo é para todo mundo”, da Bell Hooks. É uma leitura curta, clara, mas muito profunda. Ela trata de temas como gênero, raça, trabalho doméstico, e é uma ótima introdução ao feminismo interseccional. E, claro, o livrinho “Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie. Ele é leve, acessível e parte de uma palestra dela. Explica por que o feminismo é importante para todos, não só para as mulheres.
LIANDRA VEIGA: E na educação infantil e no fundamental I, você acha que dá pra inserir pautas políticas?
LU PRATA: Com certeza. Como dizia Paulo Freire, “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. A formação cidadã e o senso crítico devem começar desde cedo. Mesmo que não com livros teóricos, há muitas formas de trabalhar política com crianças — por meio de histórias, personagens, dilemas, convivência, escolhas coletivas...
LIANDRA VEIGA: Tem algum tema que você ainda quer muito trazer para o seu perfil, especialmente dentro desse recorte da educação?
LU PRATA: Nossa, essa é difícil. Eu falo de tanta coisa que nem sei. Mas acho que tem um tema que eu tenho estudado e ainda não levei pro meu conteúdo: as falhas do Estado brasileiro na educação indígena. É algo que quero trazer em breve, porque diz muito sobre a exclusão estrutural que ainda perpetuamos.
LIANDRA VEIGA: Entrando um pouquinho mais no contexto do seu perfil no Instagram, o que você diria para as meninas e mulheres sobre o que significa empoderamento?
LU PRATA: A palavra “empoderamento” infelizmente foi capturada pela mídia e distorcida. Mas o que eu vejo como empoderamento, o que eu busco e desejo para todas as meninas e mulheres, é a recuperação de um poder que nos foi tirado pela sociedade — e a apropriação desse poder para transformar a nós mesmas e, também, a vida das nossas irmãs. Empoderamento, para mim, é olhar para dentro e dizer: “Eu posso fazer isso. Eu não vou deixar que me rejeitem, que me calem.” Eu sei que é difícil, mas empoderar-se é resistir. É não aceitar que o poder que os homens acham que têm — porque o patriarcado os colocou nesse lugar — impeça a minha jornada. É não ficar quieta diante das injustiças, é não aceitar que falem por mim. É ocupar espaços, impor a minha voz, participar das decisões sobre a minha própria vida. É não deixar meu destino nas mãos de homens que nem me conhecem. Isso, para mim, é empoderamento. É uma jornada, e acho que todas nós precisamos trilhar esse caminho para nos reconhecermos como cidadãs do mundo.
LIANDRA VEIGA: Aproveitando o gancho: se você pudesse definir o patriarcado em uma palavra, qual seria?
LU PRATA: Nossa... uma palavra só? Muito difícil, porque é um sistema extremamente complexo. Mas eu diria: cruel. Cruel principalmente com as mulheres — porque somos as que mais sofrem com ele, sendo mortas, espancadas, estupradas pelos nossos companheiros, pais, professores, chefes... homens que se sentem autorizados porque o sistema permite isso. Mas o patriarcado também é cruel com os próprios homens — os que fogem do ideal de masculinidade imposto, os que adoecem emocionalmente, mentalmente, por não caberem nesse molde.
LIANDRA VEIGA: Você acredita que consegue mudar formas de pensar com seus vídeos e seu perfil?
LU PRATA: Sim, acredito que sim. Já acompanhei histórias de pessoas que chegaram ao estúdio sendo muito haters, críticas, agressivas — e que, com o tempo e os vídeos, foram mudando. A gente foi construindo uma relação mais saudável, e hoje essas pessoas seguem o conteúdo porque realmente gostam. Talvez não concordem com tudo, mas sem dúvida passaram a refletir mais. Se eu não consigo mudar completamente a mente de alguém, pelo menos posso fazer essa pessoa pensar. Mostrar que ela pode enxergar outros pontos de vista, que ela tem essa liberdade. Porque, infelizmente, muitas ideologias — como o racismo, o machismo e a homofobia — são ensinadas muito cedo, em lares conservadores. Então mostrar que há outras perspectivas pode ser transformador.
LIANDRA VEIGA: Qual vídeo do seu perfil mais te orgulha?
LU PRATA: Pergunta difícil! Eu tenho gostado cada vez mais dos meus vídeos, vejo uma evolução muito grande desde o começo do estúdio até agora. Mas tem um que me marcou muito: um vídeo sobre feminismo, desmentindo a ideia de que o feminismo é contra as mulheres que cozinham bolo para os maridos ou contra a família. Foi um vídeo que furou a bolha, me trouxe 20 mil seguidores em duas semanas e me levou a lugares inimagináveis. Tenho até um carrossel fixado no perfil com esse conteúdo. É um dos meus vídeos favoritos, sem dúvida.
LIANDRA VEIGA: Qual o maior desafio em criar conteúdo político?
LU PRATA: São muitos, mas acho que o maior hoje é a impossibilidade de debater com certos grupos. Tem gente que não está interessada em argumentar, mas sim em me atacar. Posso estar apenas lendo um artigo científico e o comentário já vem: “E o Lula? E o PT? Vai pra Cuba! Você devia estar morta.” É muito agressivo e muito difícil, porque meu objetivo é justamente provocar debate e reflexão. Mas esse tipo de pessoa impede que esse diálogo aconteça. Isso ainda me entristece. Me impede de atingir um público mais amplo com a profundidade que eu gostaria.
LIANDRA VEIGA: E como você lida com esses comentários agressivos?
LU PRATA: Eu fui uma criança que fez muita terapia. Sofri bullying, preconceito, invalidação desde cedo. Então, hoje, isso já não me atinge com a mesma força. Eu me conheço melhor e sou mais segura do meu trabalho.Foco muito mais nos comentários positivos, nas pessoas que realmente gostam do estúdio, do que nos ataques à minha aparência, à minha origem, à minha identidade. Claro, ameaças sérias a gente precisa levar a sério. Mas, no geral, eu ignoro.
LIANDRA VEIGA: Para fechar: qual mulher mais te inspira?
LU PRATA: Difícil! Vou fazer um Top 3, mas já avisando que mudo toda semana, porque são muitas. Primeiro, minha mãe e a Natasha, do Política para Mulheres — ambas me introduziram ao universo da política e me ajudaram a crescer. Depois, a Angela Davis. Pode parecer clichê, mas amo como ela escreve e penso muito no impacto que ela teve, principalmente com seu trabalho teórico. Tenho todos os livros dela aqui. E, por fim, uma mulher que tenho admirado muito recentemente: a Kaê Guajajara. Ela é uma das primeiras artistas indígenas de pop que realmente furou a bolha. É ativista, fala sobre vários temas, e o conteúdo dela me inspira muito. Mas, acima de tudo, o que mais me inspira é a mulher comum. Aquela que estuda, trabalha, cuida da casa, sobrevive à violência, não abaixa a cabeça. Meninas que fazem vestibular, que vão para a faculdade, que não desistem, mesmo com medo. É por elas que eu continuo. Com o estude, eu espero contribuir para que cada uma tenha uma chance de ocupar o espaço que merece.



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