O amor como revolução: Por que "Tudo Sobre o Amor" de bell hooks ainda ecoa tão forte
- Ariele Lima

- 12 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Por: Ariele Lima
Em um mundo onde o amor é frequentemente romantizado, mercantilizado ou até mesmo trivializado, a obra "Tudo Sobre o Amor: Novas Perspectivas" de bell hooks surge como um farol de lucidez e esperança. Lançado originalmente em 2000, este livro não é apenas um sucesso editorial; ele é um fenômeno cultural que continua a ressoar profundamente, especialmente entre as mulheres, oferecendo uma bússola para navegar nas complexidades das relações humanas e na busca por uma vida plena. Para um veículo de jornalismo independente voltado para mulheres, discutir bell hooks é discutir as fundações de um feminismo que busca a libertação integral.
O sucesso duradouro de "Tudo Sobre o Amor" não é por acaso. Em um cenário onde a autoajuda muitas vezes se limita a fórmulas vazias, hooks nos convida a uma reflexão profunda e, por vezes, desconfortável, sobre o que realmente significa amar. Ela desmistifica a ideia de que o amor é apenas um sentimento. Para hooks, o amor é uma ação, uma prática, uma escolha consciente e contínua. Essa distinção é fundamental, pois nos tira da passividade e nos empodera para construir ativamente relacionamentos mais saudáveis e significativos, começando pelo amor-próprio.
Uma das principais ideias que permeiam a obra é a de que o amor, para ser autêntico, exige uma combinação de cuidado, compromisso, confiança, responsabilidade, respeito e conhecimento. Ela nos desafia a olhar para além das paixões avassaladoras e efêmeras, e a enxergar o amor como um processo de crescimento e autoconhecimento. Hooks argumenta que fomos condicionados a pensar no amor como algo que nos acontece, e não como algo que fazemos. Essa perspectiva muda tudo.
O amor como antídoto ao capitalismo e ao patriarcado
Bell hooks é incisiva ao expor como o capitalismo e o patriarcado corroem nossa capacidade de amar. O capitalismo, com sua lógica de consumo e posse, tende a mercantilizar o amor, reduzindo-o a um produto a ser adquirido, um "troféu" ou uma transação. A busca incessante por sucesso material e o individualismo fomentado pelo sistema nos alienam, dificultando a construção de laços profundos e a vivência de um amor que exige investimento e vulnerabilidade. O amor verdadeiro, para hooks, é uma resistência à subjetividade capitalista que nos ensina a ser egoístas e a priorizar a acumulação.
Já o patriarcado, como sistema de dominação masculina, é inerentemente antiamor. Ele promove a hierarquia, o controle e a posse, o que é incompatível com a mutualidade e a liberdade que hooks defende. Papéis de gênero rígidos sufocam a expressão emocional de homens e mulheres, distorcendo o que significa amar. No patriarcado, a mentira, a manipulação e até mesmo a violência podem ser disfarçadas de "amor", perpetuando um ciclo de abuso. Para hooks, o feminismo é crucial para a construção de relações amorosas autênticas, pois ao desafiar as estruturas de dominação, ele cria as condições para que o amor, em sua forma mais pura, possa florescer. Não há amor sem igualdade e justiça.
Por que a coluna de hooks ainda é essencial para mulheres?
Para as mulheres, em particular, "Tudo Sobre o Amor" oferece ferramentas valiosas para desmantelar as narrativas de dependência e submissão que muitas vezes nos são impostas. Ao nos convidar a definir o amor em nossos próprios termos – com base na autonomia, no respeito mútuo e na liberdade –, hooks nos empodera a construir relações que nos fortaleçam, e não que nos diminuam. Ela nos ajuda a identificar os sinais de um amor genuíno e a distinguir do que é apenas apego, controle ou manipulação.
Em tempos de polarização e de crescente individualismo, a voz de bell hooks é mais relevante do que nunca. Ela nos lembra que o amor, em sua essência mais pura, é uma força revolucionária, capaz de transformar vidas, comunidades e o próprio mundo. "Tudo Sobre o Amor" não é apenas um livro para ser lido, mas para ser vivenciado. É um convite para reimaginar o amor não como um ideal distante, mas como uma prática diária, acessível a todas nós, e que tem o poder de nos guiar em direção a um futuro mais justo e afetuoso.




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